Mineralização da matéria orgânica em florestas comerciais

“Para nós o subsolo é ainda mais desconhecido que o mar. Embora saibamos menos sobre o fundo do oceano do que sobre a superfície da Lua”, afirma o engenheiro florestal alemão, Peter Wohlleben. O solo guarda logo abaixo de nossos pés uma biodiversidade praticamente desconhecida, mas essencial para o desenvolvimento das plantas.

Após estudos sobre o assunto, foram identificadas a presença de inúmeras substâncias químicas, que podem ajudar ou até mesmo prejudicar o desenvolvimento das plantas. Também foram analisadas a relação e as reações entre as substâncias presentes no solo. Hoje já sabemos que existem solos mais ácidos e mais básicos, devido a essas reações.

Ainda existem fungos e bactérias que ajudam na fixação dos nutrientes na terra, tendo papel fundamental para o crescimento saudável das plantas.

Os fungos são os que mais marcam presença, que segundo Wohlleben, “Em um punhado de terra de floresta existem mais seres vivos do que o total de seres humanos no planeta. Uma colher de chá contém mais de 1 quilômetro de filamentos de fungos. Todos esses seres trabalham e transformam o solo, tornando-o valioso para às árvores.” 

Tamanha a complexidade do solo que pesquisadores do ramo da silvicultura e da agronomia, estudam a relação entre esses seres, sendo que já foram identificados diversos ciclos de fixação de nutrientes como a do nitrogênio (N) e a do carbono (C) por fungos e bactérias alojadas nas raízes das plantas por exemplo. Esses componentes (N e C) são essenciais para a formação das plantas, principalmente da clorofila.

Um dos ciclos que mais tem chamado a atenção seria a decomposição da matéria orgânica, a qual contribui de forma significativa na fertilidade do solo. Como veremos a seguir, a fertilidade biológica transformou o modo com que tratamos a terra e inseriu boas práticas, principalmente ao se tratar do manejo florestal comercial.

Porém, antes mesmo de nos adentrarmos sobre a temática da mineralização da matéria orgânica no solo em florestas comerciais, é preciso entender o que é e o que configura a fertilidade química, física e biológica e ainda como aliar esses três segmentos em seu plantio.

Entenda os 3 tipos de fertilidade do solo

A capacidade de sustentar uma determinada planta de forma física, química e biológica é o que configura a fertilidade do solo. Porém, algumas espécies exigem maiores quantidades de nutrientes ou alguma outra característica específica, por isso o conceito de fertilidade costuma ser relativo, uma vez que depende das características da cultura que se deseja plantar. 

Por exemplo, solos alagadiços são ideais para produção de arroz, contudo, este mesmo tipo não é adequado para a maior parte de espécies florestais, pois há a proliferação de fungos que prejudicam o desenvolvimento das árvores. Além disso, esse ambiente dificulta o processo de respiração (oxigênio) e trocas gasosas pelas raízes das  árvores.

Mas ainda é possível determinar características que diferenciam a fertilidade física, química e biológica. Essa diferenciação auxilia no momento de avaliar os resultados da análise de solo e assim ser mais assertivo sobre os corretivos a serem aplicados, caso necessário.

1) Fertilidade física: 

Corresponde ao aspecto físico da terra em si, ou seja, é verificada a textura, granulação, densidade e também a quantidade e o tipo de argila presente na amostra. Esses aspectos irão indicar a porosidade, densidade e se ainda há presença de pedras e rochas.

A presença de pedras e rochas é um indicativo de afloramento rochoso, isso significa que a atividade mecanizada na área não é viável, pois pode danificar o maquinário. 

Em entrevista sobre o assunto, Solano Martins Aquino, diretor presidente do IBF explica que “a quantidade de argila, areia e rochas indicam se o solo apresenta fácil penetração da água, ou se ele é alagadiço (arenoso/paludoso) que encharca facilmente sufocando as raízes das plantas e apresenta ambiente propício para proliferação de fungos que podem matar a planta”.

Para saber se o solo apresenta tais características, é indicado realizar a análise por meio de uma amostragem, entenda mais sobre o assunto aqui.

2) Fertilidade química: 

O equilíbrio das reações químicas entre substâncias como cátions (Cálcio, Magnésio, Potássio e Sódio) e íons (Fósforo e Enxofre) e dos micronutrientes (Boro, Cobre, Ferro, Manganês e Zinco) é o que configura a fertilidade química do solo. O desequilíbrio entre esses nutrientes pode tornar o solo mais ácido ou básico, impactando diretamente no desenvolvimento da planta, isto é, influência no PH (acidez).

Algumas espécies de plantas como as rosas preferem solos mais ácidos, porém isso não ocorre com o mogno africano, uma vez que essa condição o enfraquece, podendo acarretar na presença de pragas e doenças.

Por isso, é recomendado a análise química do solo a fim de identificar quais nutrientes estão presentes e se há substâncias tóxicas que podem trazer prejuízos ao produtor. Dessa forma, por meio dos dados obtidos na análise é possível identificar a quantidade desses nutrientes e se há a necessidade de alguma correção.

3) Fertilidade biológica:

Já a fertilidade biológica corresponde a presença de fungos e bactérias presentes no solo e nas raízes das plantas responsáveis por realizar a reciclagem e fixação de nutrientes como o nitrogênio.

Uma técnica agrícola muito utilizada para aumentar a fertilidade biológica é a adubação verde, que consiste no plantio de leguminosas ou de gramíneas, que apresentam relação simbiótica ou associativista com as bactérias (rizóbio) alojadas em suas raízes que metabolizam o nitrogênio, ou seja, elas têm a capacidade de remover o nitrogênio presente na atmosfera e fixá-las no solo, dessa forma, nutrem a terra.

Essas plantas são responsáveis pelo arado biológico, pois suas raízes são profundas. Quando essas raízes se decompõem, criam galerias e macroporos, que promovem o crescimento de microorganismos em profundidade e assim rompem as barreiras físicas. Logo, elas são responsáveis pela descompactação do solo.

Há ainda outras formas de aumentar a fertilidade biológica que seria por meio da decomposição da matéria orgânica, como folhas, tocos de árvores, entre outros elementos.

Case: Polo Florestal em Pompéu/MG

Na propriedade em Pompéu/MG foram preparados 110 hectares de florestas de mogno africano utilizando-se das técnicas de adubação verde para aumentar a fertilidade biológica do solo. 

Para obter maior desempenho na reciclagem dos nutrientes, em especial a do nitrogênio, foram utilizados inoculantes e protetor celular nas sementes selecionadas para empregar essa técnica. 

Esses inoculantes contém microorganismos que estimulam o desenvolvimento das plantas e das bactérias formadoras de nódulos nas raízes das plantas (rizóbios) e do azospirillum. Também foi aplicado protetor Premax fornecido pela Rizobacter que tem a função de garantir a sobrevivência em ambientes ricos em bactérias nocivas.

Após analisar o clima da região foram selecionados cinco plantas para realização desta técnica, sendo duas espécies da família das gramíneas (sorgo volumoso e brachiaria ruziziensis) e três da família das leguminosas (Crotalária ochroleuca, Crotalária juncea e o feijão guandú). 

As sementes de leguminosas foram emergidas em uma mistura de dois inoculantes o BiomaPhos produzido pela Embrapa e Rhizobium fornecido pela Total Biotecnologia. Já as sementes de gramíneas também passaram por este processo, contudo a mistura foi entre o BiomaPhos e a Rizospirillum fornecido pela Rizobacter.

Como obter maior mineralização do solo em florestas comerciais

Em florestas comerciais de mogno africano é recomendado o espaçamento mais fechado de 3x2 ou de 3,5x1,7 metros de distância entre as plantas. Por meio desse espaçamento, há a competição entre as árvores que crescem de forma retilínea e mais rápido. Porém, a vantagem desse espaçamento está também na mineralização do solo.

Em entrevista ao canal do IBF, Solano Martins Aquino explica que “quando utilizamos o espaçamento mais fechado, no caso do mogno africano, o fechamento da copa (dossel) ocorre logo no segundo ou terceiro ano de idade, fazendo com que haja o sombreamento e diminuição na irradiação solar direta no solo. A queda das folhas e galhos se transformam, por meio da decomposição, matéria orgânica que irá enriquecer o solo rizosférico. O solo rizosférico é aquele que está no entorno das raízes.”

Também alerta sobre espaçamentos mais amplos: “quando o espaçamento é muito aberto há a irradiação direta tornando a terra seca e perde os nutrientes presentes podendo ocasionar na erosão e até mesmo lixiviação da área. Também contribui para o aumento dos competidores que são plantas invasoras com o mato e as ervas daninhas”.

Solano ainda ressalta que florestas que adotam o espaçamento mais fechado precisam ser desbastados periodicamente, contudo, não há a necessidade da remoção dos tocos das árvores, uma vez que ela se torna matéria orgânica contribuindo assim para a fertilidade biológica da floresta. Confira a entrevista na íntegra:

 

 

Portanto, como foi visto, o solo apresenta inúmeras peculiaridades que devem ser aliadas às características da cultura que se deseja plantar. Ao estabelecer o equilíbrio, é possível alavancar a produtividade agrícola ou florestal. Por isso, antes mesmo de iniciar o plantio da sua floresta, é preciso verificar a viabilidade do projeto florestal.

Quer saber se sua área está apta ao plantio de florestas comerciais de mogno africano? Conheça nossa proposta de assessoria de implantação de florestas clicando no botão abaixo:

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