Todo investidor, antes de iniciar alguma aplicação no mercado financeiro ou fora dele, sempre busca analisar esse investimento em números: quais são os custos iniciais do projeto, qual o rendimento anual, qual o tempo de retorno financeiro (payback), se é um investimento líquido ou não, e qual a taxa interna de retorno (TIR). Essas premissas são válidas para qualquer negócio, seja ele financeiro, agrícola ou silvicultural.

No caso de florestas de mogno africano é possível estimar a lucratividade da floresta e quantos metros cúbicos serão produzidos a cada ano, por exemplo. Contudo, há erros muito comuns no momento de se realizar essa estimativa sendo que alguns detalhes passam despercebidos ou até mesmo negligenciados. Neste artigo você irá aprender os principais erros mais comuns ao estimar a lucratividade do mogno africano.

6 principais erros aos estimar a lucratividade

1) Tipo de madeira produzida pelas toras

Logo ao iniciar o projeto é preciso definir de imediato o objetivo dessa floresta e qual o produto que será produzido por meio dessas árvores. Normalmente florestas de mogno africano tendem a ser criadas com finalidade comercial para produção de madeira nobre para serraria.

Um dos erros mais comuns ao estimar a lucratividade para serraria é deixar de considerar a maturidade biológica da árvore e também de não considerar um percentual de perda ou resíduo no momento da conversão da madeira em tora para serrada.

O volume de madeira produzido da floresta em pé comparado ao volume de madeira serrada e seca, apresenta variação expressiva que pode impactar na lucratividade do projeto. Por isso, deve-se considerar um índice de perda devido ao processo de serragem ao elaborar o projeto. Vale lembrar que o valor da madeira produzida varia de acordo com o diâmetro das árvores.

No caso do mogno africano, a madeira produzida a partir do décimo segundo ano possui maior valor agregado devido a maturidade biológica que é atingida entre 13 e 15 anos de idade. 

Portanto, a partir do décimo segundo ano de idade são produzidas as “toras” que possuem maior valor agregado no mercado por já possuírem o cerne formado e de diâmetros mais elevados.

Para se ter uma ideia da importância da maturação biológica, ela coincide com o payback, o retorno financeiro investido. É neste momento, no terceiro manejo de desbaste, que todo o investimento inicial é pago e é possível obter lucro, pois a madeira obtida nesta idade já pode ser comercializada com maior valor agregado devido a dureza da madeira com a formação do cerne.

Em florestas com espaçamento de 3 x 2 ou de 3,5 x 1,7 metros estão previstos três manejos de desbastes e o corte raso da floresta. Nesses manejos e o corte raso são obtidos diversos tipos de madeiras.

Todos esses tipos de madeira são possíveis de obter lucro, contudo é preciso ser menos otimista ao se tratar da estimativa da produção em metros cúbicos de madeira. Também deve-se ter previamente definido para qual mercado será destinado os produtos e subprodutos produzidos.

2) Definir qual mercado será atendido

Não ter definido qual o mercado que será atendido é um dos erros mais comuns ao se estimar a lucratividade do mogno africano. Entender quem será o consumidor do produto final também faz parte do objetivo e justificativa do projeto florestal, pois é a partir dessa definição que é possível entender qual as exigências do mercado, a quantidade de madeira a ser produzida e se é necessário manter regularidade no fornecimento dessa madeira.

No caso do mercado interno, é possível obter retorno financeiro com pequenos projetos florestais. Geralmente o mercado doméstico é menos exigente em relação a qualidade da madeira e não requer alto volume de produção.

Já o mercado externo há muita procura por produtos de alta qualidade e fornecimento regular, sendo indicado reflorestamento comercial em grande escala ou dentro de um polo florestal. Há ainda a valorização do preço da madeira por se tratar de um mercado internacional, atrelado a outras moedas como o dólar, uma moeda mais estável comparada ao real. Conheça áreas à venda para cultivo do mogno africano na região de Minas Gerais.

3) Subestimar o custo de manutenção da floresta

O terceiro erro mais comum ao calcular a lucratividade é subestimar os custos de manutenção da floresta. O reflorestamento comercial requer cuidados periódicos antes mesmo do plantio até o corte raso. Nos primeiros anos de idade da floresta os cuidados são mais intensos pois realiza-se atividades de correção de solo e controle de pragas em área total de plantio e no entorno. Posteriormente são realizadas as atividades de manutenção como a poda ou desrama, manejo de desbaste e mensuração florestal.

Todas essas atividades requerem treinamento e mão de obra que muitas vezes não é considerado em diversos projetos influenciando no cálculo de desembolso impactando no retorno financeiro. As atividades mencionadas, quando não realizadas, geram impactos na qualidade da madeira e podem aumentar até o índice de mortalidade das mudas gerando assim prejuízos.

Além dessas atividades, a mensuração florestal deve ser feita anualmente a fim de monitorar o crescimento da floresta e realizar intervenções caso seja necessário para melhorar seu desempenho em tempo hábil. Nessa mensuração são selecionadas árvores determinadas de um talhão e coletadas medidas como DAP e a altura da árvore, dessa forma é possível obter a taxa de incremento anual.

Caso a floresta apresente crescimento insatisfatório ou aspectos como murcha das folhas, queda ou estagnação no crescimento, por exemplo, é recomendado realizar a análise foliar, que funciona como um exame de sangue. Por meio da coleta das folhas das árvores é possível detectar se há excesso ou deficiência nutricional das plantas. Dessa forma, identifica-se o problema em tempo hábil para realizar a adubação de forma assertiva, caso seja necessário.

4) Definir a TIR do projeto florestal

A Taxa Interna de Retorno (TIR), frequentemente confundida com o lucro do projeto, é na realidade o índice econômico calculado para mensurar e identificar a rentabilidade de um empreendimento em um determinado período. O cálculo da TIR é comumente utilizado para projetos em que o retorno financeiro leva mais de um ano.

Ou seja, a taxa está vinculada a uma periodicidade dos aportes e dos investimentos. Uma floresta de mogno africano, por exemplo, apresenta o corte raso entre 17 a 25 anos de idade, isto indica que hoje ela apresenta um valor, porém até o final do ciclo esse valor será diferente devido às variações da economia. Essa taxa a mais considerada em percentual é denominada TIR.

Portanto, a TIR é uma estimativa em percentual de quanto valerá a madeira da floresta dentro deste período determinado. O cálculo dessa taxa em percentual, é realizado com base no fluxo de caixa do projeto que deve constar as entradas, saídas, fluxo de caixa final e acumulado. Entenda com detalhes sobre o retorno financeiro baixando a planilha modelo de investimento em mogno africano.

Vale frisar que a TIR não é sinônimo de lucro, ela é apenas um indicador de correção do valor em um determinado período de tempo. O lucro de um determinado projeto é baseado no fluxo de caixa real do empreendimento, sendo a receita maior do que as saídas, por isso este o erro mais comum ao se estimar a lucratividade do mogno africano.

5) Não considerar a valorização da terra

Existem inúmeros fatores que influenciam no valor da terra de forma positiva ou negativa. Muitas vezes essa variação do valor da terra estar vinculada a inúmeros fatores como o cenário político e econômico, aos aspectos do solo, condições topográficas e logísticas.

Em momentos em que há mudança de presidência, por exemplo, há incertezas das diretrizes econômicas a serem adotadas pelo governo, dessa forma há desestimulação de investimentos no setor rural gerando assim uma queda no preço da terra.

Por outro lado, caso a região onde está localizada a propriedade rural apresente uma atividade consolidada, o valor da terra tende a aumentar. Muitas cidades estão próximas a polos que absorvem commodities, como é o caso de cidades do interior de São Paulo, onde há inúmeras usinas que optam por arrendar a produção de determinado produto. Nesse caso há um mercado consumidor e ainda o aspecto logístico por estar próximo desse mercado, tornando a terra ainda mais valorizada.

Também há aspectos ligados às condições de solo uma vez que quanto mais fértil o solo, maior é a valorização devido a necessidade de uso de corretivos de solo serem muito menores. Além disso há o aspecto da topografia uma vez que regiões mais planas, facilita a mecanização no campo tornando assim a terra ainda mais atrativa.

A expansão das cidades é outro fator que influencia de forma positiva no preço da terra, pois tornam-se mais próximas do mercado consumidor e polos tecnológicos. Propriedades que já apresentam uma infraestrutura como casa, galpão, plantio em andamento ou algum outro negócio em desenvolvimento também agregam maior valor a terra. Para entender mais sobre o tema, acesse a matéria sobre os fatores de valorização das terras rurais no Brasil.

6) Não considerar a inflação

Para projetar a lucratividade do negócio florestal deve ser considerado os aportes anuais referentes a compra da terra, implantação e manutenção até o 13° ano (payback) corrigidos pela inflação projetada. De acordo com economistas, a inflação está prevista em 3,5% ao ano (a.a.) nos próximos anos.

Para isso, no momento do cálculo deve-se estimar o valor médio da venda da madeira em tora na propriedade é estimado entre 200-400 euros para toras de diâmetros inferiores e 500-600 euros por metro cúbico nas toras (em pé) de diâmetros superiores, corrigido com base no índice de valorização da madeira e também com a inflação projetada no período.

O cultivo do mogno africano, por se tratar de um investimento a longo prazo, irá apresentar diferentes valores ao longo do tempo, por isso a importância de se considerar índices de inflação e a TIR.

Além disso, deve-se descontar do valor obtido o Imposto de Renda (IR) incidente em 20% da receita total da venda da madeira, que corresponde a 5,5% do faturamento bruto e caso a terra seja vendida, também deve-se levar em conta o IR sobre a venda da terra.

Conforme apresentado, calcular a estimativa da lucratividade do mogno africano não é uma tarefa nada fácil, requer atenção aos detalhes e colocar na ponta do lápis todos os custos e estimativas de entradas para se ter um projeto mais definido e consolidado, principalmente em números. Outro impacto na lucratividade do negócio florestal é o estudo de aptidão da área para plantio comercial do mogno africano (Khaya grandifoliola), esse estudo que auxilia na elaboração e estimativa de gastos x receita, que variam de projeto para projeto. Entenda com mais detalhes o que é aptidão da área neste artigo. Saiba mais detalhes baixando a planilha modelo de investimento em mogno africano:

planilha modelo de investimento