Como plantar mogno africano: dicas e métodos

Diferentemente do que se imagina, plantar mogno africano para fins comerciais requer cuidado, atenção e planejamento para que o processo de implantação seja otimizado e que o índice de pegamento das mudas seja o maior possível. Atualmente, há dois métodos mais comuns: o mecanizado e o manual.

Para saber qual desses dois métodos é o mais adequado em sua propriedade, devemos analisar as características geográficas e climáticas do local onde será feito o plantio.

Épocas de chuva costumam ser ideais para se plantar, contudo devemos nos atentar para a quantidade de chuva. Caso seja excessiva, o solo torna-se lamacento inviabilizando o plantio mecanizado, e em algumas situações nem mesmo o plantio manual é possível.

Por outro lado, quando há período muito longo de estiagem, ou seja, sem chuvas, o solo se torna extremamente seco, dificultando o rompimento da terra para sulcagem ou a abertura das covas.

Por isso, para saber se o solo está apto para iniciar o processo de plantio é analisado a olho nu se está apenas úmido, lamacento ou extremamente seco a ponto de formar pequenas pedras de terra.

As atividades manuais e mecânicas são bem distintas entre si, tanto em relação ao tempo de execução de cada uma, quanto aos equipamentos utilizados e o custo operacional.

Em linhas gerais, o plantio mecanizado é indicado em regiões planas e sem afloramento rochoso, ou seja, com pouco ou nenhum desnível e sem a presença de rochas. Já regiões com rochas ou que são muito íngremes, de difícil acesso, é recomendado o plantio manual.

Para saber o passo a passo de como plantar o mogno africano em sua propriedade separamos neste artigo as etapas da operação mecanizada e da manual para melhor compreensão.

Operação mecanizada: como plantar mogno africano

1) Limpeza do local

A partir do momento em que a vegetação ultrapassa 30 cm de altura, a remoção do mato pode ser feita por meio de uma roçadeira acoplada ao trator. Essa atividade pode levar de 30 minutos a 2 horas por hectare, sendo mais ágil do que a roçada manual e necessita de menos mão de obra operacional. Caso a vegetação estiver inferior a 30 cm de altura, recomenda-se a capina mecanizada com pulverizador acoplado ao trator.

Antes mesmo de iniciar a limpeza mecanizada, percorra o local verifique se há a presença de tocos, raízes, pedras e rochas para não danificar o maquinário. Se houver, é recomendado a remoção de pedras e rochas e também destocagem de tocos e raízes.

2) Sulcagem e plantio das mudas

Removido todo o mato e com o terreno limpo, há a preparação do solo para abertura de covas e o plantio das mudas. Ao contrário da operação manual, na qual a abertura e a adubação se dá ao mesmo tempo por cova, na operação mecanizada há a atividade de abertura de linhas de plantio por meio de um sulcador florestal acoplado ao trator em área total.

O sulcador apresenta hastes que rompem o solo, afofando a terra e facilitando a penetração das raízes. Todo esse processo recebe o nome de sulcagem ou gradagem. Alguns sulcadores já apresentam um tanque acoplado, o que proporciona a aplicação dos adubos e a abertura de linhas de plantio simultaneamente.

A sulcagem dispensa a abertura de covas, dessa forma, apresenta maior rendimento do que comparado ao plantio manual. Depois da abertura das linhas de plantio já adubadas, as mudas são plantadas no berço que são os locais que foram demarcados e abertos com “chucho”.

Em lugares onde não é possível realizar a sulcagem, é possível abrir covas preferencialmente de 50 cm de diâmetro por 1 metro de profundidade com uma perfuratriz acoplada ao trator. Esta é uma alternativa para áreas com declives.

A perfuratriz apresenta uma broca de perfuração a um trator agrícola, que permite maior rendimento no trabalho de abertura das covas. Por ser uma ferramenta acoplada a um trator agrícola, a utilização fica condicionada à topografia do terreno, limitando o uso a áreas onde não haja declive extremamente acentuado que impeça a entrada do trator.

Ainda nesta etapa a adubação deve ser feita em área total e nas linhas de plantio. Para a adubação em área total normalmente é recomendado a calagem, potassagem e gessagem. Já adubação em linhas de plantio é indicado a fosfatagem. Em ambos os casos, deverá ser feito uma análise de solo que será interpretado por um profissional qualificado e irá definir as dosagens de cada nutriente.

Operação manual: como plantar mogno africano

1) Limpeza do local

O primeiro passo para iniciar o processo de implantação é remover todo o material vegetal com foices, facões ou quimicamente, aplicando herbicida com o uso da bomba costal. Esse processo também é conhecido como capina química.

Caso opte pela capina química, a quantidade do produto a ser aplicada por hectare irá variar de acordo com a quantidade de mato, por isso procure sempre um profissional especializado. Lembre-se sempre de usar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) durante a aplicação de herbicida.

2) Abertura de covas

Com o local de livre de matos, agora é a hora de abrir as covas – até 40 cm de diâmetro por 40 cm ou alcançar alcançar 1 metro de profundidade para melhor resultado de enraizamento – caso o solo esteja muito compactado, as dimensões mínimas devem ser de 50 cm.

Antes mesmo de abrir as covas, deve-se analisar a olho nu a compactação do solo. Se o solo não estiver compactado, é recomendado o uso do enxadão. Vale lembrar que ao se utilizar essa ferramenta o rendimento operacional é menor quando comparado ao mecanizado. Por isso, é indicado apenas em áreas que não é possível mecanização onde não há recursos disponíveis.

Também é possível usar cavadeiras ou motocoveadora, sendo que cada operário pode abrir cerca de 500 covas por dia, porém antes de usá-la devemos verificar se há a presença de rochas para não danificar a máquina.

3) Adubação

Em plantios manuais, a adubação de base é feita tanto em área total quanto na cova. A adubação de base é feita diretamente na cova utilizando adubos com baixa salinidade, de forma a diminuir a fitotoxicidade. Além disso, recomenda-se a utilização de adubos orgânicos podendo ser aplicado diretamente na cova, desde que esteja devidamente compostados. Já em área total, em se tratando de plantios manuais, os corretivos são aplicados a lanço.

Enquanto a adubação de cobertura deverá ser realizada em média 3 vezes no primeiro ano de implantação. A coveta lateral é perfurada a uma distância de 30 cm da muda e a uma profundidade de 10 cm, ou até mesmo ser aplicado a lanço próximo a planta. Nela será adicionado a quantidade específica de nutrientes, facilitando o acesso das raízes.

Opcionalmente, os nutrientes podem ser aplicados em semicírculo, abrindo-se um sulco contornando a planta a 30 cm da base da muda, colocando o adubo e cobrindo com terra. Para que a adubação não favoreça o crescimento de plantas invasoras, a aplicação deverá ser realizada após a capina ou sob condições de baixa infestação de mato.

Esta atividade será realizada em três momentos, sendo a primeira após 60 dias do plantio, a segunda em 120 dias e a última depois de 180 dias. Ou de acordo com a avaliação do desenvolvimento da floresta.

Em solos mais pobres, é indicado a aplicação de 10 mL de biofertilizante líquido por muda. Para facilitar a operação, aplica-se junto ao biofertilizante sólido, na proporção de 10 mL do produto líquido para 100 g do sólido. É recomendado também o plantio de crotalária, feijão guandu ou outro adubo verde, com o objetivo de melhorar o condicionamento do solo e aumento do índice de matéria orgânica.

A terceira adubação de cobertura deve ocorrer quando a floresta estiver com 6 meses de idade, aplicando-se as dosagens de acordo com o projeto desenvolvido pelo profissional da área.

4) Plantio

Para facilitar a retirada das mudas do tubete e inseri-las na cova, mergulhe a muda ainda com o tubete em uma solução com água e biolestimulante a fim de nutrí-las e facilitar a remoção do tubete sem danificar a planta. Veja com mais detalhes como funciona esse processo no vídeo abaixo:

 

Antes mesmo de inserir as mudas dentro do berço, misture a terra que foi retirada da cova junto com os adubos com o auxílio de uma pá. Essa mistura irá diminuir a fitotoxicidade, ou seja, diminui o risco de queimá-las e matá-las. Por isso, dê preferência a adubos orgânicos e se atente as dosagens.

Para a construção do berço, é utilizado uma estaca de madeira comumente chamada de “chucho” que tem o formato do torrão da muda. Para esta atividade o solo deverá estar ligeiramente úmido, para que no momento em que a estaca for retirada conserve o formato do berço. Após isso, a muda inserida e levemente pressionada com as mãos ou os pés. Há de se ressaltar que o torrão deve estar no mesmo nível que o solo, pois aprofundá-lo demais pode ocasionar no afogamento do colo da muda, bem como deixá-lo exposto poderá expor as raízes ao sol, dificultando no pegamento.

Independente do método escolhido para plantio, o produtor deverá realizar o coroamento das plantas. O coroamento consiste na remoção de toda e qualquer vegetação no raio de no mínimo 50 cm ao redor da muda em fase inicial. Deve-se evitar formar "bacias” ao redor da planta. Este processo pode ser realizado manualmente com enxada ou com a aplicação de herbicida (coroamento químico). A remoção da vegetação herbácea evita a competição por água, luz e nutrientes. Entenda mais sobre a mato competição neste artigo.

Dica: no coroamento químico deve-se utilizar métodos anti-deriva como o chapéu de Napoleão (estrutura plástica que envolve o bico do pulverizador) ou um bico especial para essa atividade. Esses bicos geralmente distribuem a calda em gotas maiores e em jato dirigido, reduzindo assim a deriva do produto.

Apesar de simples, o processo manual apresenta maior custo operacional uma vez que é necessário equipe treinada para que não haja prejuízos na implantação. Outra desvantagem é o tempo de execução, o qual é significativamente maior do que a operação mecanizada. Contudo, em regiões onde não é possível a entrada com maquinário, a operação manual é mais vantajosa.

Caso haja um período muito longo de estiagem na fase de pegamento, logo após o plantio, deve-se irrigar as mudas. Normalmente o pegamento das mudas se dá entre 60 a 90 dias, passado esse período, mesmo ocorrendo estiagem prolongada não há necessidade de regas.

Como podemos ver a atividade mecanizada agiliza o processo de preparo e implantação das mudas, contudo, deve-se atentar aos detalhes de topografia do terreno como rochas e tocos que podem danificar ou até mesmo tombar o maquinário. Por outro lado, o uso excessivo de maquinário deve ser evitado, pois pode compactar o solo. A operação manual é indispensável para regiões de difícil acesso e muito íngremes.

Também deve-se verificar os recursos já presentes na propriedade para minimizar possíveis custos. Descubra qual o custo estimado para se plantar uma floresta de mogno africano fazendo o download da planilha abaixo:

planilha modelo de investimento

 

 

 

 

 

  

 

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