Proposta metodológica de avaliação da Aptidão Agrícola das Terras

Objetivo

Esta proposta tem o objetivo de simplificar o processo de avaliação da aptidão de terras para o cultivo do mogno africano, utilizando propostas metodológicas já consagradas em estudos promovidos pela Embrapa.

Metodologia

Esta análise tomou como base a metodologia proposta por Lauro Charlet Pereira e Francisco Lombardi Neto, que por sua vez na avaliação da aptidão agrícola das terras, adotaram a metodologia do Sistema de Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras (Ramalho Filho & Beek, 1995), com uma proposta de atualização e modificação, a partir de incorporação de parâmetros (fator de limitação e atributos diagnósticos, isolados ou combinados) e estabelecimento de “tabelas de critérios” para todos os atributos considerados na avaliação. Para uma melhor visualização da estrutura do método, elaborou-se um diagrama, no qual é exibido em linhas gerais os diferentes aspectos de abordagem, indo desde a oferta ambiental (composta pelos temas: solo, relevo, clima, vegetação,...) até as classes de potencialidades, categorizadas por “boa, regular, restrita e inapta”

Fatores de limitação

Deficiência de fertilidade

O fator deficiência de fertilidade foi avaliado com base em três atributos diagnósticos. Isto facilita tanto a identificação do eventual atributo de maior limitação, quanto as recomendações de práticas de manejo mais adequadas. Os atributos diagnósticos considerados foram:

  1. Disponibilidade de nutrientes : n 
  2. Toxicidade por alumínio : a 
  3. Fixação de fósforo : f

a) Disponibilidade de nutrientes : n

O critério adotado para determinar os graus de limitação referentes à disponibilidade de nutrientes foi o de Oliveira & Berg (1985), que relacionaram a saturação por bases (V%) com a capacidade de troca catiônica (CTC). Esses autores justificam que este critério reflete melhor o grau de trofismo, ressaltando que em dois solos com a mesma saturação por bases, o que tiver CTC mais elevada apresenta maior reserva de nutrientes. Também, solos com CTC muito baixa, mesmo apresentando V% em torno de 50, foram considerados como tendo limitação forte, no tocante à disponibilidade de nutrientes (Tabela 4).
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Graus de Limitação


  • 0 : Nulo - terras que possuem elevadas reservas de nutrientes (constituídas por solos eutróficos), que apresentam pelo menos até 80 cm de profundidade uma saturação por bases (V%) superior a 50%, conjugada a uma capacidade de troca de cátion (CTC) superior a 5 cmolc kg -1. Praticamente não respondem à adubação e apresentam ótimos rendimentos durante muitos anos.

  • 1 : Ligeiro – terras com boa reserva de nutrientes, devendo apresentar pelo menos até 50 cm de profundidade uma saturação por bases (V%) maior que 50% (solos eutróficos), quando associada à moderada CTC (3-5 cmolc kg -1). Ou, saturação por bases variando entre 25 a 50%, quando associada à CTC mais elevadas (>5 cmolc kg -1). Essas terras têm capacidade de manter boas colheitas durante vários anos, com pequena exigência de fertilizantes para manutenção de seu estado de produção.

  • 2 : Moderado – terras com limitadas reservas de nutrientes (solos distróficos), que apresentam pelo menos até 50 cm de profundidade uma saturação por bases variando entre 25 a 50%, quando associada a valores de CTC de 3-5 cmolc kg -1. Ou, com saturação por bases variando entre 50 a 100%, quando conjugada com valores de CTC de 2-3 cmolc kg -1. Terras que nos primeiros anos de utilização permitem bons rendimentos, seguindo-se um rápido declínio na produção. 

  • 3 : Forte – terras com reservas de nutrientes muito limitadas (solos distróficos), que apresentam saturação por bases entre 10 e 25% até pelo menos 50 cm de profundidade, associada a valores de CTC 3-5 ou > 5 cmolc kg -1. Ou, com saturação por bases variando entre 25-50%, associada a valores muito baixos de CTC (2-3 cmolc kg -1). 

  • 4 : Muito Forte - terras extremamente pobres em nutrientes (distróficos), que apresentam saturação por bases muito baixa (< 10%) até pelo menos 50 cm de profundidade, ainda que associada a valores de CTC superiores a 5 cmolc kg –1; ou com V% entre 10 e 25% e CTC de 2-3 cmolc kg -1. 

b) Toxicidade por alumínio : a

Na avaliação do atributo toxicidade por alumínio, Oliveira & Berg (1985) introduziram, além do índice “m%” (saturação por alumínio), valores de CTC. Segundo esses autores, um solo com CTC mais elevada apresentará, para um mesmo valor de m%, maior reserva de alumínio trocável e, conseqüentemente, exigirá maior quantidade de corretivo para eliminar ou reduzir a concentração de alumínio. Com isto, além da indicação mais precisa sobre a intensidade da limitação, este critério auxilia numa melhor discriminação de unidades de manejo (Tabela 5).

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Graus de Limitação 


  • 0 : Nulo - terras não álicas, com saturação por alumínio inferior a 10% na camada arável, conjugado com capacidade de troca catiônica (CTC) de até 10 cmolc kg -1. 

  • 1 : Ligeiro – terras não álicas, com saturação por alumínio podendo variar de 10 a 50 %, quando associada à baixa CTC (1-5 cmolc kg -1), ou com saturação por alumínio variando de 10-30%, quando a CTC assume valores mais elevados (5-10 cmolc kg -1). 

  • 2 : Moderado – terras não álicas, com saturação por alumínio variando de 30 a 50%, quando associadas a CTC de 5-10 cmolc kg -1. Ou, terras álicas com saturação de alumínio variando entre 50 e 70%, porém, deve estar conjugada com baixos valores de CTC (1-5 cmolc kg -1). 

  • 3 : Forte – terras álicas, com saturação por alumínio variando entre 50 e 70%, associada à CTC com valores mais elevados (5-10 cmolc kg -1). Ou, terras álicas com elevada saturação por alumínio (70- 100%), mas associada a valores mais baixos de CTC (1-5 cmolc kg -1). 

  • 4 : Muito Forte - terras álicas, com elevada saturação por alumínio (70-100%), associada a CTC com valores variando de 5 a 10 cmolc kg -1.

c) Fixação de fósforo: f

Os solos das regiões tropicais e subtropicais são, de um modo geral, pobres em fósforo. Segundo Malavolta (1980), o fósforo disponível é o elemento, cuja carência no solo, mais freqüentemente limita a produção agrícola, principalmente das culturas anuais. O termo fixação diz respeito à conversão do fósforo solúvel ou disponível em formas insolúveis ou pouco solúveis. Com base no trabalho de Oliveira & Sosa (1995), que considera a textura, a cor e a atração eletromagnética na estimativa da fixação do fósforo no solo, foram estabelecidos os graus de limitação referentes a esse atributo. Trata-se de um método com característica um tanto empírica, devendo seus resultados ser considerados como uma potencialidade relativa de fixação de fósforo (Tabela 6). 

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Graus de Limitação 


  • 0 : Nulo - terras que apresentam solos de textura superficial arenosa (Areia Quartzosa e Regossolo) e solos de textura superficial arenosa e subsuperficial média, com cores vermelho-escuro ou vermelho-amarelo. Solos virtualmente sem atração por imã. 

  • 1 : Ligeiro – terras que apresentam solos de textura superficial média, argilosa ou muito argilosa, com cores vermelho-escuro ou vermelho-amarelo. Solos com baixa atração magnética. 

  • 2 : Moderado – terras que apresentam solos de textura superficial argilosa ou muito argilosa, com cores vermelho ou vermelho-escuro. Solos com moderada atração magnética. 

  • 3 : Forte – terras que apresentam solos de textura superficial argilosa ou muito argilosa, com cores roxa. Solos com forte atração magnética. 

  • 4 : Muito Forte – terras que apresentam solos de textura superficial argilosa ou muito argilosa, com cores roxa. Solos com muito forte atração magnética.

Deficiência de água: w

No cálculo de água disponível (w) utilizou-se a equação de Arruda et al. (1987), que considera os parâmetros referentes à capacidade de campo e ponto de murcha permanente associados ao volume de solo (profundidade e densidade do solo), conforme a equação:
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A metodologia de avaliação da aptidão agrícola das terras não considera a prática de irrigação, significando que a limitação referente ao atributo capacidade de água disponível afeta igualmente a utilização dos solos, sob os níveis de manejo B ou C. 


A partir dos valores de água disponível (até a profundidade de 100cm), obtido para os diferentes percentuais de silte + argila, foram estabelecidos os graus de limitação para os solos, de acordo com os grupamentos texturais (arenosa, média, argilosa e muito argilosa), conforme o Tabela 7.

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Graus de Limitação 


  • 0 : Nulo - terras que em todo o ano apresentam água disponível em boa quantidade, de modo a promover o desenvolvimento normal das plantas e oferecer múltiplas opções de uso. Essas terras possuem solos em que a soma de %silte + %argila está na faixa de 25% a 30% (o que corresponde, respectivamente, à 74 mm – 80 mm de água disponível), para o caso dos arenosos; de 30% a 75% (correspondente à 80 mm – 75 mm de água disponível, respectivamente) para os solos de textura média e de textura argilosa; e de 60% a 75% (correspondente à 89 mm – 75 mm de água disponível, respectivamente), quando tratar-se de solos de textura muito argilosa. 

  • 1 : Ligeiro – terras com solos que apresentam discreta limitação quanto à disponibilidade de água, influindo ligeiramente no desenvolvimento das espécies cultivadas mais sensíveis. Tais solos apresentam soma de %silte + %argila na faixa de 15% a 25% (correspondente à 58 mm – 74 mm de água disponível, respectivamente) para os de textura arenosa; e de 75% a 85% (equivalente à 75 mm – 60 mm de água disponível, respectivamente) para os solos de textura média ou argilosa, ou muito argilosa. 

  • 2 : Moderado – terras com solos que apresentam nítida limitação referente à disponibilidade de água, influindo sensivelmente no desenvolvimento das espécies cultivadas, diminuindo assim as opções de uso das terras. Essas terras apresentam solos com soma de %silte + %argila na faixa de 10% a 15% (correspondente à 49 mm – 58 mm de água disponível, respectivamente), para os de textura arenosa; e de 85% a 90% (60 mm – 50 mm de água disponível, respectivamente) para os solos de textura média ou argilosa, ou muito argilosa. 

  • 3 : Forte – terras com solos que apresentam fortes limitações relacionadas à disponibilidade de água para promover o desenvolvimento normal das plantas. Tais solos possuem soma de %silte + %argila na faixa de 5% a 10% (correspondente à 37 mm – 49 mm de água disponível, respectivamente) para os de textura arenosa; e de 90% a 95% (equivalente à 50 mm – 39 mm de água disponível, respectivamente) para os solos de textura média ou argilosa, ou muito argilosa. 

  • 4: Muito Forte – terras com solos que apresentam limitações muito forte quanto à disponibilidade de água para promover o bom desenvolvimento das plantas. Estes solos possuem soma de %silte + %argila inferior a 5% (o que corresponde à valores de água disponível inferiores a 37 mm) para os de textura arenosa; e superior a 95% (equivalente à valores de água disponível inferiores à 39 mm) para os solos de textura média ou argilosa, ou muito argilosa.

Excesso de água ou deficiência de oxigênio: o

A limitação referente ao excesso de água ou deficiência de oxigênio foi estabelecida a partir das classes de drenagem extraídas de Embrapa-CNPS (1999), com adequações na metodologia original (Ramalho Filho & Beek, 1995). Ver Tabela 8. 

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Graus de Limitação 


  • 0 : Nulo – terras que não apresentam problemas de aeração ao sistema radicular da maioria das culturas, durante todo o ano. Compreendem terras muito porosas e permeáveis, abrangendo as classes de drenagem que variam de excessivamente drenado à bem drenado. 

  • 1 : Ligeiro – terras que apresentam discreta deficiência de aeração durante curto período do ano. São classificadas como moderadamente drenadas. 

  • 2 : Moderado – terras que apresentam moderada deficiência de aeração durante a estação chuvosa. A deficiência de oxigênio pode ser causada, tanto pelo lençol freático relativamente elevado, quanto pela baixa condutividade hidráulica. São solos imperfeitamente drenados. 

  • 3 : Forte – terras que apresentam sérias deficiências de oxigênio durante grande parte do ano, de modo que os cultivos não adaptados demandam trabalhos de drenagem artificial para obtenção de colheitas satisfatórias. São solos da classe mal drenada, apresentando condições propícias para a existência de horizonte gleizado. 

  • 4 : Muito Forte - terras que apresentam restrições de uso muito fortes, devido à deficiência de oxigênio durante praticamente todo o ano. Os solos são classificados como muito mal drenados.

Suscetibilidade à erosão: e

A suscetibilidade à erosão diz respeito à facilidade com que o solo é removido, por ação do vento e/ou da água (considerou-se, neste trabalho, apenas a erosão hídrica dada a pequena importância da erosão eólica na região). 


Alguns solos sofrem mais erosão do que outros, mesmo que as condições de declividade, chuva, cobertura vegetal e práticas de manejo sejam idênticas. Essa diferença, devida à natureza do próprio solo, é denominada erodibilidade (fator K), também conhecida como vulnerabilidade ou suscetibilidade à erosão (Bertoni & Lombardi Neto, 1990). 


Na avaliação do fator suscetibilidade à erosão, considerou-se dois atributos diagnósticos associados: a erodibilidade do solo (fator K) e a declividade do terreno, estabelecendo-se assim os graus de limitação, conforme demonstrado nas Tabelas 9 e 10.

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Graus de Limitação 


  • 0 : Nulo - terras que apresentam suscetibilidade à erosão insignificante. Seus solos ocorrem em relevo plano (0-3%), conjugado com erodibilidade (fator K) nula. 

  • 1 : Ligeiro – terras com discreta suscetibilidade à erosão. Possui solos com relevo plano (0-3%), admitindo-se uma erodibilidade (fator K) associada com grau ligeiro ou até moderado. Para o caso de solos com relevo suave ondulado (3-8%), a erodibilidade associada não deverá ser superior ao grau ligeiro. 

  • 2 : Moderado – terras que apresentam moderada suscetibilidade à erosão. Possui solos que apesar de ocorrerem em relevo plano (0-3%), a sua erodibilidade (fator K) apresenta-se com grau forte. Para o caso de solos com relevo suave ondulado (3-8%), a erodibilidade associada deverá ter grau moderado e, no caso, de solos com relevo moderadamente ondulado (8-13%), o grau de limitação da sua erodibilidade deverá ser nulo. 

  • 3 : Forte – terras que apresentam acentuada suscetibilidade à erosão. Possui solos com relevo plano (0-3%), porém com uma elevada erodibilidade (fator K), classificada como de grau muito forte. Para os solos de relevo suave ondulado (3-8%), a sua erodibilidade apresenta-se com grau forte. Nos solos com relevo moderadamente ondulado (8-13%), a erodibilidade admitida refere-se aos graus ligeiro ou moderado, ao passo que nos solos de relevo ondulados (13-20%) o grau de erodibilidade deve ser nulo. 

  • 4 : Muito Forte - terras com suscetibilidade à erosão muito acentuada. Possui solos com relevo suave ondulado (3-8%), contudo a sua erodibilidade (fator K) apresenta-se com grau muito forte. Os solos com relevo moderadamente ondulado (8-13%) têm uma erodibilidade associada com graus forte ou muito forte. Para o caso de solos com relevo ondulado (13-20%), a erodibilidade associada tem relevante significado, pois é determinante já a partir do grau ligeiro. Nos solos com relevo montanhoso e escarpado (>45%), associados a qualquer grau de erodibilidade, pois nessa declividade os riscos ambientais são extremos.

Impedimento à mecanização: m

Na avaliação das terras, referente ao impedimento à mecanização, considerou-se a combinação “pedregosidade/rochosidade x declividade”, dada a grande importância desses atributos, no que tange ao uso e manejo das terras. 

 

Os critérios adotados para pedregosidade/rochosidade, foram com base em Lepsch, et al. (1991) e Lemos & Santos (1996), que definem pedregosidade como a proporção de fragmentos grosseiros (calhaus: 2 - 20 cm de diâmetro; matacões: 20 - 100 cm de diâmetro) sobre a superfície e/ou na massa do solo; e rochosidade diz respeito à exposição de rochas (>100 cm de diâmetro), conforme a Tabela 11. 

 

Os graus de limitação para o atributo impedimento à mecanização (pedregosidade/rochosidade x declividade) foram estabelecidos, conforme demonstrado na Tabela 12. 

A análise do fator impedimento à mecanização tem maior relevância no nível de manejo C, uma vez que este nível avançado contempla o uso de máquinas e implementos agrícolas nas diversas fases de preparo e uso das terras.

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Graus de Limitação 


  • 0 : Nulo – terras que permitem, em qualquer época do ano, o emprego de todos os tipo de máquinas e implementos agrícolas de uso comum, e com o máximo rendimento. Apresentam relevo plano, com declividade inferior a 3% e ausência de rochosidade/pedregosidade. 

  • 1 : Ligeiro – terras que permitem o emprego de todo tipo de máquinas e implementos agrícolas, durante praticamente todo o ano. Possuem relevo plano, com rochosidade/pedregosidade em grau ligeiro, ou relevo suave ondulado (declividade varia entre 3 a 8%), com rochosidade/pedregosidade em grau de limitação nulo. 

  • 2 : Moderado – terras que não permitem o emprego de máquinas e implementos agrícolas, utilizados comumente, durante grande parte do ano. Terras com declividade de 3 a 8%, com grau ligeiro quanto à rochosidade/pedregosidade, ou com declividade de 8 a 13%, porém com grau de limitação nulo, quanto à rochosidade/pedregosidade. 

  • 3 : Forte – terras que apresentam sérias restrições ao emprego de máquinas e implementos agrícolas de uso comum. Permitem, em quase sua totalidade, o uso de tração animal e máquinas especiais. Podem apresentar relevo plano, com declividade de 0 a 3%, porém, possuem limitação de grau moderado, no tocante à rochosidade/pedregosidade. Ou podem apresentar declividade de 8 a 13%, com grau de limitação quanto à rochosidade/pedregosidade ligeiro. Podem também possuir relevo, com declividade de 13 a 20%, desde que apresente grau nulo de rochosidade/pedregosidade. 

  • 4 : Muito Forte - terras impróprias para mecanização em qualquer época do ano, sendo difícil até mesmo o uso de implementos de tração animal. Terras que apresentam condições muito adversas à mecanização (por declividade ou rochosidade/pedregosidade, ou ambos), permitindo somente o uso de máquinas especiais. Nos relevos menos movimentados, como o suave ondulado e moderadamente ondulado, a limitação ocorre devido à presença de rochosidade/pedregosidade com grau moderado a muito forte. Nos relevos muito acidentados – forte ondulado, montanhoso e escarpado, cuja declividade varia de 20 a 45% e acima de 45%, respectivamente, a limitação se dá pelas próprias condições de relevo, além das limitações dominantemente moderadas à muito forte, quanto à rochosidade/pedregosidade. 

Profundidade efetiva: p

Atributo diagnóstico, também utilizado na avaliação de vários outros atributos. Refere-se à profundidade máxima que as raízes penetram livremente no corpo do solo, em razoável número, sem impedimentos, propiciando às plantas suporte físico e condições para absorção de água e nutrientes. É chamado atenção para o fato de que a profundidade efetiva nem sempre se limita à profundidade do sólum (horizontes A + B), podendo, inclusive, ultrapassá-la (Marques, 1971; Lepsch et al., 1991; Curi, 1993). 


Na profundidade efetiva leva-se em conta basicamente o aspecto biológico, onde seu limite inferior está definido pelos limites da ação das forças biológicas e climáticas. Na avaliação desse atributo diagnóstico, foram utilizadas as classificações de profundidade estabelecidas por Lepsch, et al. (1991) e Embrapa-CNPS (1999), conforme demonstrado na Tabela 13.

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Graus de Limitação 


  • 0 : Nulo – terras constituídas por solos muito profundos, sem nenhuma restrição importante quanto ao uso de máquinas e implementos agrícolas durante o ano todo. 

  • 1 : Ligeiro – terras que apresentam solos profundos e que permitem, com discreta limitação, o uso da maioria das máquinas agrícolas durante, praticamente, o ano todo. 

  • 2 : Moderado – terras que apresentam solos qualificados como moderadamente profundos, possuindo restrições moderadas quanto ao uso de mecanização agrícola. 

  • 3 : Forte – terras que apresentam solos qualificados como rasos, permitindo apenas, em casos especiais, o uso de implementos de tração animal. 
  • 4 : Muito Forte - terras constituídas por solos muito rasos, que não permitem qualquer tipo de mecanização, mesmo o uso de implementos de tração animal.

Fator climático: c

O clima tem importante significado em quase todas as fases das atividades agrícolas. Pode auxiliar desde a seleção de áreas para instalação de culturas e experimentos agrícolas até o planejamento a curto ou a longo prazo das atividades agrícolas, inclusive de práticas de manejo e conservação do solo (Moreira, 1992). 


As limitações climáticas (c) para a área de estudo, foram avaliadas a partir da análise de seus dados meteorológicos. Dentre os diversos atributos que poderiam ser utilizados para a caracterização climática, optou-se pelo índice de aridez (Ia), o qual representa um dado de síntese expressando a relação entre a deficiência hídrica e a evapotranspiração potencial do período, ou seja, é a deficiência hídrica expressa em percentagem da evapotranspiração potencial (necessidade). Foi obtido pela fórmula: 

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O índice de aridez (Ia) varia entre 0 e 100. É 0 (zero) quando não existe déficit, e 100 quando a deficiência iguala-se à evapotranspiração potencial. 


Utilizou-se este índice, visando aprimorar a avaliação das terras. Os graus de limitação foram estabelecidos a partir de uma análise combinada entre o “Ia” e o número de meses com deficiência hídrica, conforme a Tabela 14. Com isto, além de apresentar uma informação mais precisa, evitou-se que regiões com idênticos número de meses secos (porém, com “Ia” diferentes, ou vice-versa), fossem avaliadas com o mesmo grau de restrição. Foi considerado o valor de 5mm, como limite mínimo para caracterizar um mês com deficiência hídrica.

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Graus de Limitação


  • 0 : Nulo – terras que não apresentam restrições climáticas, no que tange à oferta de água às plantas, durante todo o ano. Podem apresentar períodos com deficiência hídrica de até 2 meses, porém, o total de déficit deve ser inferior à 20% da evapotranspiração potencial no período (índice de aridez : Ia < 20%). Ou, pode ocorrer períodos mais curtos de deficiência hídrica (< 1 mês), que admite nesse período um total de déficit hídrico inferior a 40% da evapotranspiração potencial (Ia < 40%). 

  • 1 : Ligeiro – terras que apresentam restrições climáticas pouco acentuadas, quanto à oferta de água às plantas. Podem apresentar deficiência hídrica variando de 40% a 60% da evapotranspiração potencial no período (Ia = 40% - 60%), desde que seja por curto período de tempo (< 1 mês). Em períodos de deficiência maiores (1 a 2 meses), o total de déficit hídrico deve representar 20% a 40% da evapotranspiração potencial do período (Ia = 20% - 40%). E no caso de períodos ainda mais longos de deficiência hídrica (3 a 5 meses), o total dessa deficiência não deve ultrapassar os 20% da evapotranspiração potencial do período ( Ia < 20%). 

  • 2 : Moderado – terras com acentuada restrição climática, caracterizada por períodos mais longos de deficiência hídrica, acompanhados de totais mais baixos dessa deficiência, ou opostamente, isto é, períodos mais curtos com totais mais elevados de deficiência hídrica. Portanto, nessas terras pode ocorrer período de deficiência variando de 6 a 8 meses, com total de déficit inferior a 20% da evapotranspiração do período (Ia < 20%); ou período menos longo de deficiência (3 a 5 meses), com total de déficit entre 20% a 40% da evapotranspiração potencial do período (Ia = 20% - 40%); ou período curto de deficiência (1 a 2 meses), com total de déficit entre 40% e 60% da evapotranspiração do período (Ia = 40% - 60%); ou período muito curto de deficiência hídrica (< 1 mês), com total de déficit entre 60% e 80% da evapotranspiração potencial do período (Ia = 60% - 80%). 

  • 3 : Forte – terras com restrições climáticas fortes, caracterizadas dominantemente por longos ou curtos períodos de deficiência hídrica, com médios e altos totais dessa deficiência. Ocorre em terras com período deficiência hídrica superior a 8 meses, porém, o total desse déficit não deve ultrapassar 20% da evapotranspiração potencial do período (Ia < 20%); ou quando o período de deficiência hídrica variar de 6 a 8 meses e o total desse déficit representar 20% a 40% da evapotranspiração potencial, do mesmo período (Ia = 20% - 40%); ou em períodos de 3 a 5 meses de deficiência, com total de déficit variando de 40% a 60% da evapotranspiração potencial (Ia = 40% - 60%); ou em períodos de 1 a 2 meses de deficiência, com total de déficit variando de 60% a 80% da evapotranspiração potencial (Ia = 60% - 80%); ou, ainda, período de deficiência hídrica < 1 mês, com total de déficit entre 80% e 100% da evapotranspiração potencial do período (Ia = 80% - 100%).

  • 4 : Muito Forte - terras com restrições climáticas severas, caracterizadas pela ocorrência dominante de períodos longos de deficiência hídrica e elevados totais dessa deficiência. Essa limitação ocorre em terras, cujo total de deficiência hídrica representa 20% a 40% da evapotranspiração potencial (Ia = 20% - 40%), em períodos superiores a 8 meses; ou em terras com total de deficiência hídrica variando de 40% a 80% da evapotranspiração potencial (Ia = 40% - 80%), em períodos superiores a 6 meses; ou, ainda, quando a deficiência representar 80% a 100% da evapotranspiração potencial (Ia = 80% - 100%), a partir de períodos superiores a 1-2 meses. 

Fator declividade: c

No mapa de curvas de nível (formato DXF), extraído das cartas planialtimétricas do IBGE, na escala 1:50.000 (eqüidistância de curvas de nível de 20 m), foi feito a conversão para o formato ASCII, mediante o aplicativo DXFCON (Santos, 1998). Esse arquivo foi importado para o SURFER, onde se procedeu à interpolação pelo método de Curvatura Mínima, obtendo-se o Modelo Digital de Terreno (MDT). O MDT foi posteriormente importado para o software IDRISI, tornando possível gerar as classes de declividade, conforme Tabela 15.
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Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras


É importante destacar que não foi realizado dois tipos de avaliação da aptidão agrícola (metodologia de uso corrente e metodologia com modificações), visto que a comparação de métodos não fazia parte dos objetivos deste trabalho. Além disso, as propostas de modificações e incorporações feitas, devem ser entendidas como “propostas de contribuições metodológicas”, necessitando de maiores discussões, visando o aperfeiçoamento contínuo do método.

  Quadro 1: Quadro guia adaptado para o mogno africano

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