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A poda ou desrama consistem na remoção de ramos vivos, secos e doentes das árvores para que não haja a proliferação de pragas e doenças. Essa atividade silvicultural também é recomendada para se obter madeira limpa e homogênea. Por isso, essa  técnica é muito utilizada para produção de madeira para serraria.

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Contudo, é preciso se atentar a alguns cuidados ao realizar esse procedimento, a fim de que a árvore não seja danificada. Vale lembrar que há dois tipos de desrama/poda: natural ou artificial.

Diferença entre desrama natural e artificial

A queda dos ramos das plantas pode acontecer de forma natural devido aos agentes biológicos e físicos do ambiente em que está se desenvolvendo, por essa razão recebe o nome de desrama natural. Há inúmeros fatores que influenciam na poda natural, podendo ser devido a fatores genético, alta densidade do povoamento florestal, pragas, doenças e idade do ramo.

ramos galhos mogno africano poda desramaDe forma geral, a desrama se inicia com a morte dos galhos que estão abaixo da copa da árvore. Esses galhos secos e mortos são atacados por fungos e insetos, enfraquecendo-o a ponto de se desprender com facilidade do tronco ou ocasionar a queda devido ao seu próprio peso. Por isso, esse ramo irá se desprender com mais facilidade caso haja alguma chuva ou vento forte.

Após a queda há a formação do nó que poderá ser mais ou menos intensa, pois dependerá do tamanho do ramo que se desprendeu do tronco e se está seco ou vivo (verde).

Há a opção de se remover galhos e ramos para evitar a presença desses nós e obter madeira mais limpa. Dessa forma, pode-se realizar a desrama artificial que consiste na remoção intencional e de forma adequada para que haja uma boa cicatrização após a retirada do galho, evitando a presença de nós, agregando assim maior valor comercial da madeira produzida.

No caso de florestas comerciais de mogno africano, quanto mais tempo o ramo permanecer no tronco, maior é a chance da formação do nó, mesmo que ele esteja morto. O nó não só traz desvantagens estéticas como propriedades mecânicas de qualidade inferior, ou seja, a madeira com nós, é menos estável e pode ser porta de entrada de pragas e doenças mesmo após ser tratada e envernizada.

Como podar o mogno africano

Para realizar esse procedimento é recomendado que o corte seja rente ao tronco (fuste), sendo necessário utilizar um serrote curvo, para ramos mais desenvolvidos, ou uma tesoura Okatsune, para a retirada de galhos mais finos. Estes equipamentos podem ser encontrados na loja Click Mudas.

A retirada dos galhos deve ser até dois terços de altura da copa da árvore, sendo o ideal atingir de 8 a 12 metros de fuste livre de galhos. Caso a desrama não seja feita de forma adequada e lesione a árvore poderá haver a contaminação por fungos, pragas ou doenças e desacelerar o crescimento. Outro fator importante é realizar a poda antes dos galhos atingirem 10 cm de circunferência (cerca de 3 cm de diâmetro), isso facilitará o trabalho, pois a cicatrização é mais rápida e não se perde grandes quantidades de massa vegetal, que gera a perda de velocidade no crescimento.

Verifique se os ramos estão vivos ou secos antes de realizar a desrama. Quando os ramos estão secos, essa atividade pode ser realizada em qualquer período do ano. Porém, se estiverem verdes, é indicado que seja no período em que a espécie apresenta maior crescimento vegetativo. No caso do mogno africano, a remoção de galhos verdes deve ser realizada entre os meses de setembro a abril.

Logo nos primeiros anos de idade da floresta dessa espécie exótica, a desrama deve ser feita para evitar a bifurcação das árvores a fim de tornar a floresta mais produtiva do ponto de vista financeiro. As árvores bifurcadas apresentam menor rendimento no momento do desdobro.

Atenção: o mogno africano possui folhas compostas ao longo do tronco, principalmente na fase inicial, estas folhas não podem ser confundidas com os galhos.

Portanto, é de suma importância monitorar o desenvolvimento da floresta principalmente daquelas que tem por finalidade produção de madeira para serraria. A presença de nós na madeira diminui o valor agregado, pois eles são pontos mais instáveis da madeira prejudicando na fabricação de itens. Leia também a entrevista com o eco-designer, Pedro Petry, sobre como é trabalhar com a madeira de mogno africano.

Escrito por Solano Martins Aquino.

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