Saiba as diferenças entre mogno brasileiro e mogno africano

Quando o assunto é sobre madeiras nobres, de imediato lembramos sobre o mogno. Você já deve ter ouvido falar que essa madeira é proibida no mercado nacional. Mas, sabia que existem dois tipos de mogno no mercado? E são de grande interesse no mercado europeu? E que também, um deles, está sendo reconhecido como o novo ouro verde?

A confusão entre ambas é muito recorrente, principalmente no mercado madeireiro nacional quanto pelos investidores ao estudarem sobre o assunto. Diante dessa confusão, o Instituto Brasileiro de Florestas (IBF) desenvolveu esse artigo para esclarecer as características e diferenças entre o mogno brasileiro e africano.

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Mogno Brasileiro (Swietenia macrophylla)

mogno brasileiroTípica da região da Amazônia, o “ouro verde” nacional, também conhecido como Mogno Brasileiro (Swietenia macrophylla) se tornou um dos cultivos mais cobiçados nos últimos anos devido à alta qualidade da madeira que produz.

Essa madeira de cor castanho avermelhada é muito valorizada pela marcenaria não só pelo seu valor estético, como também pela dureza e intensidade, sendo utilizada para produção de mobiliários de luxo, adornos, painéis, acabamentos internos, instrumentos musicais, entre outros.

Também conhecida como aguano e uraputanga, o mogno brasileiro está ameaçado de extinção em decorrência da extração predatória somada a praga “broca de ponteiro” ou “broca-das-meliáceas”.

Essa praga nada mais é do que uma mariposa da espécie Hypsipylla grandella. Quando ainda larva, ela perfura e destrói o broto terminal, fazendo buracos dentro do tronco afetando diretamente seu crescimento e a qualidade da madeira, a qual se torna esburacada e inutilizável.

Diante desses fatos, o mogno brasileiro foi considerado madeira de lei, ou seja, a produção para fins comerciais se torna praticamente inviável devido ao risco de extinção da espécie. Porém, há empresas, como a Agrocortex, que após anos estudos e aprovação de vários órgãos ambientais, conseguiu concessão para extrair mogno brasileiro para comercialização, apesar dos inúmeros critérios a serem seguidos antes de realizar o desbastes.

“O metro cúbico da espécie alcança até US$ 3 mil (R$ 10,8 mil) no mercado internacional. É três vezes mais que o preço de outras madeiras nativas igualmente resistentes, como cumaru e sucupira, e 60 vezes o valor do metro cúbico de espécies como pinus e eucalipto, comuns em florestas plantadas” segundo a revista Época Negócios.

A inviabilidade da comercialização do Mogno Brasileiro, devido às pragas e doenças, fez com que os silvicultores buscassem uma nova alternativa para substituí-lo encontrando no Mogno Africano uma grande oportunidade para investir em madeira nobre. O Mogno Africano também apresenta característica do mesmo padrão e similares ao Brasileiro, assim como já é encontrado em diversos mercados varejistas no exterior.

Mogno Africano: o novo "Ouro Verde"

De madeira de tom rosado e castanho avermelhado, muito valorizada para uso ornamental em movelaria, construção civil, naval, instrumentos musicais, entre diversas outras aplicações, o Mogno Africano apresenta ótimos adaptação em regiões quentes do Brasil.

Os mognos africanos foram introduzidos em território brasileiro na década de 70 e difundidos nas décadas de 80 e 90, sendo utilizados inicialmente em áreas de reposição florestal e plantios experimentais promovidos pela Embrapa em várias regiões do Brasil.

mogno africano“Seja pela relativa resistência a Hypsipylla grandella (broca das meliáceas) e outras doenças, pela adaptação edafoclimática, rápido crescimento e propriedades da madeira, a expectativa de retorno financeiro a longo prazo destes investimentos é alta” conforme a dissertação de mestrado em Ciências Florestais na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) desenvolvida por João Gabriel Missia da Silva.

Na última década, houve o maior aumento de projetos de mognos impulsionado por um conjunto de circunstância. Fatores como o aumento da procura por madeiras duras tropicais, a escassez do produto no mercado, o aumento dos custos de extração de florestas naturais e pressões do movimento ambientalista contribuíram no aumento da atratividade dos reflorestamentos.

Há ainda três espécies de mogno africano mais utilizados no Brasil: Khaya Ivorensis, Khaya Anthoteca e Khaya Senegalensis sendo necessário realizar uma consulta junto à um profissional especializado na área capaz de identificar qual das espécies melhor se adapta a sua região.

Apesar dessas opções de espécies, elas apresentam características diferentes quando se trata da qualidade da madeira sendo a K. ivorensis tem se destacado devido ao crescimento e rendimento na produção de madeira nobre.

Vale lembrar que apesar dessa substituição do mogno brasileiro pelo africano, não significa a isenção de certificações e licenças para o plantio e exploração da madeira, ou seja, ainda assim é necessário procurar órgãos ambientais para que a sua extração não seja comprometida no futuro.

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