“Arranjos agroflorestais para a bacia do Paramirim: bases para fortalecimento
da agricultura familiar” é o nome do workshop que a Embrapa Mandioca e
Fruticultura Tropical (Cruz das Almas – BA), Unidade da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, realiza nos dias 8 e 9 de setembro no Centro
Cultural Nabor Caires de Brito, em Paramirim (BA).
O evento vai reunir agricultores, técnicos, professores e pesquisadores para
apresentar e discutir as ações em andamento do projeto “Transferência de
tecnologias em sistemas agroflorestais (SAFs) para agricultura familiar em
dois territórios de identidade, no Estado da Bahia”, liderado pelo pesquisador
Antonio Souza do Nascimento e apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado da Bahia (Fapesb).
Palestras, mesas-redondas e debates do workshop serão promovidos por
analistas e pesquisadores da Embrapa Semiárido e Embrapa Mandioca e
Fruticultura Tropical, técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola
(EBDA), professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Apoiam o evento a
Associação das Famílias Agrícolas de Paramirim (Afapa) e Nimbahia Produtos
e Serviços Agroflorestais.
Agricultura familiar
Segundo o pesquisador Antonio Nascimento, o sistema agroflorestal é
interessante para a agricultura familiar devido às suas características
econômicas e ambientais. “Por unir as culturas agrícolas às florestais, o
SAF permite colheitas desde o primeiro ano de implantação, de forma que o
produtor obtenha rendimentos provenientes de culturas anuais, hortaliças e
frutíferas de ciclo curto enquanto aguarda a maturação das espécies florestais
e das frutíferas de ciclo mais longo”, explica.
Com isso, o agricultor tem, em diferentes épocas do ano, um maior
número de produtos disponíveis para a comercialização, podendo incrementar
a renda e aproveitar melhor a mão-de-obra familiar. Outra vantagem é que,
aliada a uma menor dependência de insumos externos, a utilização sustentável
dos recursos naturais resulta em maior segurança alimentar e economia, tanto
para os agricultores como para os consumidores.
O projeto tem como objetivo transferir tecnologias apropriadas para a
agricultura familiar, utilizando frutíferas arbóreas, nim indiano (Azadiracta
indica), culturas alimentares e forrageiras, em SAFs nos territórios do
Recôncavo Baiano e da Bacia do Paramirim.
Todos os sistemas sugeridos pelo projeto de pesquisa têm o nim como
componente arbóreo, escolhido por ser uma árvore reconhecidamente valiosa
Sua madeira é imune a cupins, dura, relativamente pesada e utilizada na
confecção de carretas, ferramentas e implementos agrícolas, postes para
cerca, casas e móveis.
Território do Paramirim
Situado na região Sudoeste da Bahia, o Território Bacia do Paramirim
abrange nove municípios: Macaúbas, Boquira, Paramirim, Ibipitanga, Rio do
Pires, Tanque Novo, Botuporã, Caturama e Érico Cardoso. Sua vegetação é
predominante de caatinga.
As pequenas propriedades na Bacia do Paramirim caracterizam-se pela
produção de culturas alimentares e forrageiras (milho, feijão, mandioca, sorgo epalma),
pecuária bovina e de pequenos animais.
Até meados dos anos 80, sua economia era baseada na cultura do algodoeiro
mas, com a introdução da praga do bicudo, a cotonicultura deixou de ser
competitiva e várias usinas de beneficiamento foram fechadas, resultando na
desestruturação do setor agrícola regional.
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200 Milhões de árvores








